quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Às 3h da madrugada Ana acordou assustada com um barulho dentro da sua casa. Olhou ao redor, imaginou que fosse o vento ou os vizinhos de cima chegando de uma noitada. Voltou a dormir, sentindo-se desconfortável e desconfiada. Adormeceu levemente. Novamente ouviu um barulho, virou-se em direção a porta e viu uma pessoa, fantasiada de leão, lhe espiando. Fazia um sinal com a mão para que ela ficasse calada. Ana não conseguiu dizer nada, ficou paralisada de medo, olhando fixo naquela direção. O homem-leão deu um passo para o lado e desapareceu.

Ana quis levantar-se da cama, andar pela casa para ver se o encontrava mas não conseguiu. Estava impedida de falar e de se mexer. Começou a rezar para que o sono lhe derruba-se e ela pudesse esquecer aquele homem. (Quem disse que era um homem?)

No dia seguinte levantou-se cedo. Andou pela casa com cuidado, em silêncio, verificando cada canto do ambiente. Tentou pensar em outras coisas porém aquela imagem invadia seus pensamentos.

Tocou o telefone. Regina, do outro lado da linha perguntava se Ana tinha planos para a tarde:

- Vamos nadar? Já combinei com a Sara, o Fê e a Denise.

Ana não queria sair de casa mas sentia medo de ficar só. Aceitou o convite. Preparou sua mochila com o maiô, a toalha, o kit de higiene e os chinelos de dedo.

Encontraram-se no clube, divertiram-se, brincaram na piscina como se fossem crianças, após 1 hora de exercício. Ao sair da piscina, Ana sentia-se como se tivesse deixado aquela imagem dentro da água, sentia-se leve, alegre, sem medo.

Sara ofereceu uma carona para todos, combinaram que passariam na casa de Ana para conhecer seu novo apartamento, já que havia se mudado recentemente. No trajeto, Ana, Regina, Sara, Denise e Fé cantarolaram uma música que tocava na rádio:

“Sem esconder não vou negar o quanto gosto de você, assiiiiim”

Sara estacionou na garagem do prédio de Ana já que ela não a utilizava. Subiram pelas escadas e, ao chegar no seu andar, Ana estremeceu: a fantasia do homem-leão estava em cima do tapete, na porta de entrada da casa. Quase desmaiou, faltou-lhe ar. Seus amigos acharam graça inicialmente, imaginando que se tratava de uma brincadeira sua. Logo perceberam que algo estava errado. Não questionaram, pediram-lhe a chave, entraram na casa e Regina preparou um copo de água com açúcar. Ana pediu que Regina dormisse com ele naquela noite.

Ás três da manhã, na madrugada seguinte, Ana acordou de supetão, sentiu medo de virar na direção da porta porém o fez. Lá estava o homem-leão. Fez-lhe o mesmo sinal com a mão, deu um passo para o lado e desapareceu.