- O ônibus que passou agora foi o Vicente Machado?
- Não sei, senhora! Acabei de chegar!
- Esse ônibus demora muito para passar. Tomara que tenha sido outro. Eu moro aqui perto mas não vou a pé porque hoje eu acordei indisposta. Não sei se é uma gripe. Com essas mudanças do tempo a gente se sente mal. Ainda bem que hoje quando eu saí de casa já tinha começado a chover. Então eu peguei meu casaco e meu guarda-chuva. Você não tá com frio?
- Estou!
- Você viu hoje se aquele seqüestrador liberou a moça? Até o horário que eu vi não tinha liberado! Como que pode né? Obrigar a se casar sem amor. Casamento com amor já é difícil, imagina sem. Você é casada? Acho que não, muito novinha. Eu sou solteirona, não me casei nem mesmo depois que os meus pais morreram. Mês passado morreu o meu irmão. Eu vivo com uma senhora que me acompanha. Mas olha, se você não casar, tenha filhos, para pelo menos alguém cuidar de você!
- (sorriso amarelo)
- Mas como eu tava falando, estes ônibus demoram demais! No domingo eu nem saio de casa. Estes dias fui num clube de campo com as crianças, eu não tenho crianças, eram da minha comadre. Fiquei mais de vinte minutos esperando o ônibus. Agora podia ir a pé mas não me sinto bem.Você também vai pegar o Vicente?
- Vou.
- Eu posso pegar o Itupava, ele vem sempre mais vazio. Passa perto da minha casa. Eu moro a seis quadras daqui. Na Carlos de Carvalho sabe? Lá também vive a senhora que cuida de mim. Meus pais deixaram uma casa pra mim em Santa Catarina mas é tão difícil mudar nessa idade né? E minha vizinha disse que lá as senhoras que cuidam de idosos cobram cinco, seis salários mínimos. Muito caro não? Qual ônibus que tá vindo?
- É o Vicente, senhora!
- Ah! É o nosso! Como tá cheio! Qual vem atrás? É o Itupava? Vou pegar esse, ele sempre vem mais vazio! Até logo, mocinha!
- Até!
- Não sei, senhora! Acabei de chegar!
- Esse ônibus demora muito para passar. Tomara que tenha sido outro. Eu moro aqui perto mas não vou a pé porque hoje eu acordei indisposta. Não sei se é uma gripe. Com essas mudanças do tempo a gente se sente mal. Ainda bem que hoje quando eu saí de casa já tinha começado a chover. Então eu peguei meu casaco e meu guarda-chuva. Você não tá com frio?
- Estou!
- Você viu hoje se aquele seqüestrador liberou a moça? Até o horário que eu vi não tinha liberado! Como que pode né? Obrigar a se casar sem amor. Casamento com amor já é difícil, imagina sem. Você é casada? Acho que não, muito novinha. Eu sou solteirona, não me casei nem mesmo depois que os meus pais morreram. Mês passado morreu o meu irmão. Eu vivo com uma senhora que me acompanha. Mas olha, se você não casar, tenha filhos, para pelo menos alguém cuidar de você!
- (sorriso amarelo)
- Mas como eu tava falando, estes ônibus demoram demais! No domingo eu nem saio de casa. Estes dias fui num clube de campo com as crianças, eu não tenho crianças, eram da minha comadre. Fiquei mais de vinte minutos esperando o ônibus. Agora podia ir a pé mas não me sinto bem.Você também vai pegar o Vicente?
- Vou.
- Eu posso pegar o Itupava, ele vem sempre mais vazio. Passa perto da minha casa. Eu moro a seis quadras daqui. Na Carlos de Carvalho sabe? Lá também vive a senhora que cuida de mim. Meus pais deixaram uma casa pra mim em Santa Catarina mas é tão difícil mudar nessa idade né? E minha vizinha disse que lá as senhoras que cuidam de idosos cobram cinco, seis salários mínimos. Muito caro não? Qual ônibus que tá vindo?
- É o Vicente, senhora!
- Ah! É o nosso! Como tá cheio! Qual vem atrás? É o Itupava? Vou pegar esse, ele sempre vem mais vazio! Até logo, mocinha!
- Até!
