quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

É, a mudança! Bendita, bem vinda, divina mudança!

É tempo de comprar um biquíni, enfrentar o sol e observar as sardas triplicarem naquele mesmo rosto pálido do ano passado. E aceitá-lo!
É tempo de escutar as mesmas bandas de sempre que, de repente, tornaram-se especiais. É tempo de pensar que todas as músicas dizem respeito, quase como uma paranóia. Mas que nenhuma de fato se encaixa numa história que é de uma pessoa só. É tempo de ouvir o novo disco do vocalista mais sexy de todos os tempos.
É tempo de pegar um táxi com a reencarnação do Tim Maia, com direito a camisa preta de cetim com bolinhas brancas e obesidade mórbida.
É tempo de comer batata frita com coca-cola e sorvete de abacaxi.
É tempo de procurar a água que acalma, sentir os dedos murcharem, o esmalte nas unhas descascar. É tempo de flutuar levemente.
É tempo de desatenção, de esquecer-se, de estar com o pensamento em 1979 lugares.
É tempo de cantarolar sozinha e baixinho, preocupar-se com o viúvo e com a febre.
É tempo de introspecção, de silenciar, de observar as pequenas manias de cada um: um piscar diferente, um riso motivado por alguma lembrança particular, um virar os lábios para o lado direito. Ainda, é tempo de diferenciar direito e esquerdo, localizar-se espacialmente e dirigir (dirigir o que? Re-dirigir?).
É tempo de re-tudo. Reorganizar, re-planejar, re-decorar, renascer, readaptar-se, reencontrar, a Renata.
É tempo de tomar cerveja com a tia ou com a mãe, de fazer as malas, de estar entre muitos mas estar a parte. De trocar presentes, aqueles que não serviram, e de receber, aqueles mais especiais que, como diria Pedro Luis, “basta um papel e uma caneta”.
É tempo de estar só!

“Posso estar só
Mas sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah nem! Ah não! Ah nem dá!
Solidão
Foge que eu te encontro
Que eu já tenho asa
Isso lá é bom?
Doce solidão”
(Camelo)