sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Rezando pra deixar de ser ingênua.
Ainda sem resposta.
Câmbio.
Desligo.
É nessa horas que Marta compreende o que Cartola quis dizer quando cantou "O mundo é um moinho".
....

"Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo o céu
Fiz de tudo o cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios
Eu quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel
É de cortar.
Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
O que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu, muito bem
Quis nunca te ganhar
Tanto que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios
Sei, tanto te soltei
Que você me quis
Em todo lugar
Lia em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso
Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
Que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê?
Não sei mais
Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
existe alguém pra me libertar..."
(Amarante)
...

Marta reflete: "bem que eu gostaria de cantar uma outra coisa já que não me tornei uma rã de cachecol consumida pela umidade. Alguma coisa do tipo: 'pra nós, todo o amor do mundo. pra eles, o outro lado. eu digo mal me quer, ninguém escapa ao peso de viver assim, ser assim. eu não. prefiro assim com você, juntinho, sem caber de imaginar. até o fim raiar' (Camelo). mas enfim, o mundo é um moinho".
...

Los hermanos é clichê porém lindo e confortante. E, como diria aquela amiga, ninguém arranca seu nariz, boca ou olhos para ficar diferente dos outros.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ana Cláudia torce pelo bom senso. Quem sabe seja uma virtude para poucos. Quem sabe seja a inteligência dos discretos. Como disse o pai da horda, bom senso é o que há de mais difícil. Sendo um pouco mais otimista, o bom senso pode vir com a maturidade. Ou com a educação. Quem sabe ainda, com a imunização racional, como disse aquele tal de Tim Maia. O caso, talvez, seja distribuir o "Universo em desencanto" pelo distrito federal para que "lendo atingi o bom senso da imunização racional" (Maia).
Um outra proposta seria incluir a matéria "bom senso" no ensino fundamental. Nos casos mais graves, ela deveria se estender para o ensino médio.
Mas o ideal seria que ele viesse de casa, do meio familiar: educar as crianças a terem mais respeito e menos ambição. A desviar o olhar dos seus próprios umbigos ou quem sabe de outras partes do corpo que é melhor não citar nesse momento já que esse pseudoespaçoliteráriodespretencioso está aberto a menores de 16 anos. A questão toda gira em torno de não abdicar dos desejos, a domesticar as pulsões e reconhecer que existe um outro, próximo, semelhante.
Amanda torce também para que toda a questão filosófica de "cada um no seu quadrado" seja levada a sério: KeylaMotta-no-seu-quadrado. KeylaMottanoseuquadrado.
Um beijo grande, com r, a todos, sem crase.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

- Que mania a sua, de fazer retrospectivas a cada passagem de ano marcada culturalmente!
- É mesmo...ano novo e aniversário são épocas de nostalgia!
- Eu penso que isso é besteira. Desconfio até que seja resultado das malditas retrospectivas de fim de ano da Globo, que de algum jeito devem ter marcado o seu imaginário infantil!

Ok! Um pouco de simplicidade para uma questão minimamente neurótica. Mas simplicidades ingênuas nunca devem ter prejudicado alguém, assim eu espero.
Sendo assim, temos cá:

Os primeiros desenhos automobilísticos em pilares, muros e placas de "proibido estacionar".
A primeira casa verdadeiramente montada por ela.
A primeira geladeira-armário.
Os primeiros pensamentos genuínos a respeito da maternidade.
A primeira nebulização.
O primeiro toque em um saxofone.
As primeiras aventuras na pós-culinária.
O primeiro real desejo de união.
Experiências sensoriais primeiras.
Algumas novas experiências musicais.

-Idades ímpares são simpáticas. 15, 19, 21 e 27 são números simpáticos. Anos ímpares também são simpáticos.
- Mas eles pouco coincidem com a idade ímpar?
- Que venha o contínuo de simpatias!

Ufa! E ffffff: faça um pedido e sopre a vela - chegou ao fim o in(sonia)ferno TP(i)M(sonia) astral!

Por que o medo da retrospectiva se, no final, o saldo é positivo?

"When I get older losing my hair,
Many years from now,
Will you still be sending me a valentine
Birthday greetings bottle of wine?
If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door,
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four?
oo oo oo oo oo oo oo oooo
You'll be older too, (ah ah ah ah ah)
And if you say the word,
I could stay with you.
I could be handy mending a fuse
When your lights have gone.
You can knit a sweater by the fireside
Sunday mornings go for a ride.
Doing the garden, digging the weeds,
Who could ask for more?
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four?
Every summer we can rent a cottage
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera, Chuck, and Dave
Send me a postcard, drop me a line,
Stating point of view.
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, Wasting Away.
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four?"
(Lenno & McCartney)

sábado, 29 de agosto de 2009



samba azul
como os tons mais azuis
que um pintor andaluz
sutilmente
muito levemente
usou naquelas telas

tudo azul
beija-flor voa ao léu
sobre Vila Izabel
elegante
vai pousar distante
na Portela

a paz recai enfim sobre a cidade
nenhum prenúncio de tempestade

mas do sol do norte ao mar do sul
neste samba azul, tudo azul

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Quando há dor, o que é que dói?
Quando há cansaço, o que é que cansa?
Quando há procura, o que é que se encontra?
...
Há quem acredite em astrologia e afirme que existem semelhanças cruciais entre pessoas do mesmo signo. Aquele que acredita em astrologia deve reconhecer o inferno astral, algo que dita que, um mês antes do aniversário de cada um o mundo pode ficar, digamos, estranho. E com essa idéia toda de signo, há quem se sinta uma pirataria, uma cópia malfeita, despersonalizada, ouvindo um mesmo discurso repetitivo que outrora fora dirigido a outrem.
Há quem acredite em psicanálise e no seu conceito de identificação: "processo psicológico pelo qual um simples sujeito assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro e se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo desse outro" (Laplanche & Pontalis). A identificação pode ocorrer por um traço e pode se dar por aspectos amorosos ou hostis. Eu repito, amorosos e hostis.
Há aquele que sempre achou a identificação muito bonitinha, positivamente constitutiva e agora já não mais vê esse mecanismo da mesma forma.
Deve haver quem faça um paralelo entre o conjunto de sujeitos que faz parte do mesmo signo e a identificação.
Há gente pra tudo! Há até quem dê boas vindas à pulsão de morte e lhe cumprimente com um aperto de mão! Ah! E pasmem: que insiste para que ela fique! E há mesmo quem não aceite a porra de um chá!
Há quem queira jogar a toalha ou pedir matê, como naquela lembrança infantil da lutinha, quando o que havia de positivo da agressão se tornava insuportável.
E há ainda aquele que promete que o alterego só ressurge das chamas, ou melhor, das cinzas, como a consciência gostaria de ter dito, quando o ego sufoca.
Das chamas?
...
Um beijo, fofinhooo e fofinhaaaa, para todos aqueles que estão no seu inferno astral, estejam eles desse ou daquele lado da força. Uma tossida e um catarro (argh, nauseado!) também.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009



A bondade e a crença exigem um mínimo de ingenuidade.

terça-feira, 2 de junho de 2009



"Um aminoácido é uma molécula orgânica formada por átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio, e nitrogênio unidos entre sí de maneira característica. Alguns aminoácidos também podem conter enxofre. Os aminoácidos são divididos em quatro partes: o grupo amina (NH2), grupo carboxílico (COOH), hidrogênio, carbono alfa (todas partes se ligam a ele), e um radical característico de cada aminoácido. Os aminoácidos se unem através de ligações peptídicas, formando as proteínas. Para que as células possam produzir sua proteínas, elas precisam de aminoácidos, que podem ser obtidos a partir da alimentação ou serem fabricados pelo próprio organismo"
(Wikipedia)

Além dos aminoácidos, outros elementos da natureza unem-se entre si de maneira característica e única - já que cada ligação determina um tipo de aminoácido - formando compostos, algo essencial à sobrevivência, como as proteínas, neste exemplo.
Os aminoácidos fazem cléc, no momento das ligações peptídicas.

Cléc. Brrrrr. Mmmmmm. Miau.
Um abraço a todos os fãs das onomatopéias.
O som. A imagem acústica. O significante. O S1. A marca. O traço.

Outro abraço àqueles que se deixam levar pelas consequências de uma gaguejada qualquer e assim criam um mundo tralalegal.

Fecha os olhos. Zzzzzz. Shhhhhhhhh.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Havia chegado o momento, os 10 minutos matinais em que Julia subia à biblioteca, sentava-se à mesa e esticava as pernas sobre outra cadeira, por baixo da mesa. Costumava apoiar os cotovelos na bancada, a cabeça na mão esquerda que fazia uma concha em sua bochecha, abria uma pasta com o seu nome, dirigia o olhar para o infinito e entregava-se aos devaneios. Já era a quarta semana que tal procedimento acontecia diariamente. Ocorriam-lhe imagens diversas, alucinações sensoriais e olfativas, sabores, sons, sorrisos, rubores, gargalhadas e alterações na respiração. Fechava os olhos. às vezes pelo sono que sentia e em outros momentos como o objetivo de vetar um sentido para aguçar outros. Refletia, especialmente a respeito de duas idéias que ouvira de mulheres experientes e outrora descartava por não parecer fazer sentido mas que neste momento encaixavam-se, clareavam e até mesmo tranquilizavam suas inquietudes. Idéias que diziam respeito a pontos organizadores de um mundo particular - tralalelo (?) - e geração de vida.
Julia nunca propagandeou tanto a respeito do quanto viver pode ser bom. Do quanto pode ser divertido, calmo, levemente doloroso, confuso, surpreendente e incrivelmente intenso e tranquilo. Parece ter encontrado o que sempre desejou: uma intensidade tranquila ou uma tranquilidade intensa, ainda não sabe bem. Mas tem visto que ambas podem caminhar de mãos dadas.
Gostaria de poder agradecer ou atribuir a alguém as maravilhas do encontro com tal estado de espírito. Talvez a Deus ou ao outro lado, ao destino, à sorte, às circunstâncias, à numerologia, à astrologia ou a quem quer que seja - "Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis, consta nos ovnis, no Pravda, na vodca. Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás: serás o meu amor, serás a minha paz" (Buarque). Mas parece que nada disso basta para justificar.
Julia tem constatado que realmente não há sentido para tudo, que há experiências nas quais as palavras não tem alcance e que isso que fica de pulsional pode ser maravilhoso. Se algo pode justificar o encantamento, caberiam aqui os objetos da pulsão como o olhar e a voz. Uma voz amendoada e um olhar de veludo. Quem sabe aí esteja a questão.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Para o rei da onomatopéia
"Pra ser um rei é só sorrir com amor" (Luis, P.)

Minha folia
É a rainha
Que faz coroação
E seu cortejo
Traduz desejo
Alegra o coração que vai
Devagarinho
Deixando o ninho
Buscando a imensidão
Passeio breve
Seu passo é leve
Compasso de canção
Vem
Pedir passagem
Seguir viagem
Até um clarear
De cor tão bela
Qual aquarela
Eu quero ofertar pra ti
Todos os brilhos
Todos os filhos
Nascidos do cantar

Eu trago a prenda
E a oferenda
Te tiro pra dançar
Dança de rei
Coisa de Deus
Deixa eu ser seu par já
Rosa de luz
Rindo pro céu
Quero cortejar e louvar
Agradecido
Brindo ao destino
Com versos que colhi
Pelo caminho
Desde menino
Poetas que ouvi
Me dão tecido nobre
De ouro e cobre
Com rendas que escolhi
Eu faço o manto
Junto ao meu canto
E ofereço a ti
Na despedida
A estrada é linda
Pra sempre um caminhar
E sopra o vento
Do encatamento
Certeza de voltar
É bom que seja logo
Aos céus eu rogo
Que eu volte para ver
Tanta beleza
Luz da nobreza
Pra sempre eu quero ter
Você e eu
(idem)

O equilíbrio. Com pequenas e sutis rachaduras no vitral da responsabilidade, para construir.

segunda-feira, 4 de maio de 2009



ladies and gentlemen, we´re floating in space

http://www.youtube.com/watch?v=EOL1291ryKM

terça-feira, 28 de abril de 2009

roubando idéias

"neurônios inflamados
e vendo imagens do seu rosto para todo lado
vegetalizado
cercado
desarmado
sem plano de ataque
sem plano de fuga
tenso
entrincheirado
eu só posso esperar
e me alimentar
do gosto do teu rosto
enquanto sinto os ruídos me deixando louco
vegetalizado
digitalizado"
(tostoi)

http://www.youtube.com/watch?v=Mszu2cDaEkY
ela pediu paz (quem?)
há quem diga que o lenine só é o cara por causa do jr tostoi. e há quem diga que as imagens desse clipe são de cinema francês. cinema francês. luz baixa e rubores faciais.

e mais, ainda, sempre...
"a distorção da minha visão não te entretém
(...)
eu já me sinto tão feio
e eu tenho receio do que vem a chegar
pois as previsões
e as alterações
sempre ferem"

de uma outra stella. tão viva quanto eu.

segunda-feira, 27 de abril de 2009



"Faíscas e sotaques", obra do Sr. Paulo R. Tarso
Levemente assustada. Torcendo para que o castigo não venha a cavalo ou em enxames, cardumes ou manadas.

Sobe até o céu e volta. Seguidamente. Pega uma nuvem emprestada e volta flutuando. Curto-circuito de intensidade alta.

terça-feira, 21 de abril de 2009



Como é possível, após um longo período, que alguém volte a respirar, sonhar, deglutir, digerir, enxergar, escutar, aspirar, expirar, palpitar, pegar, sentir, engolir e raciocinar música? É no corpo mesmo, pulsional!
...
- O que vocês fizeram ontem?
- Fomos editar o cd!
- Onde?
- Editar, Estela!
...
Primeiro você pega aquela sua peça de vestuário favorita. Depois você queima, carboniza, tosta, liquida, destrói, extermina, extingue e enterra. Mandinga? Talvez. Quem sabe apenas um projeto de macumba, como a dieta da banana ou da uva. O importante mesmo é você cuidar da queimadura em sua mão. E ficar atenta ao alerta amarelo, quase vermelho-sangue, aos dedinhos na tomada. Quem sabe, a saída seja apenas pegar aquela sua sacola de feirante, recolocar em questão o que parecia certo e seguir em frente! Quem sabe, ainda, você tenha a oportunidade de dar um reset. Dá para reiniciar? Não? Tá!

Weird...fishes(?).

Estela pensou que deveria repetir as palavras de Camelo em doce(?) solidão. Mas não sabe mais ao certo qual é o sabor.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Helio resolveu deixar de lado a auto-sabotagem por um tempo. Agradece o inconsciente por ser, às vezes, tão generoso, racional e coerente (?). Auto-piedade, férias para você também! Seu desejo mesmo é deixá-la de lado definitivamente. Até que chegue o dia, deixou ao menos que a tal fosse habitar outros corpos, respirar outros azarados ares. Decidiu-se, por hora, merecedor de coisas boas e escolhas saudáveis. Não cabe a ele decidir muitas das coisas, especialmente aquilo que se passa na cabeça das pessoas, o que desperta nos outros, a opinião sobre si e seu real valor. Cabe se responsabilizar pelo segundo tópico e cabe-lhe, alerta vermelho, a aprender a esperar e a confiar. Aprender a gostar do processo, do desenrolar dos fatos e não esperar pela conclusão. Continuar a saga pela paz e serenidade, fugidias. Aí está o encanto.
Não recorda de nenhum pecado cometido, grave, a ponto de receber uma espécie de auto-condenação. Nada além de uma comum e atrapalhada neurose.
Helio tem constatado obviedades muito interessantes tal como o fato de perceber que o mundo realmente só existe a partir da lente de quem o vê. É claro que o exterior é um fato e pode influenciar positiva ou negativamente o expectator. Destaco: influenciar. Porém atribuir cores ao que se vê e ao que está em volta depende mesmo de quem olha; atribuir a importância real de cada coisa, de cada pessoa. Uma música se torna especial no momento e com a intensidade que está sendo ouvida; de outro modo, pode ser apenas um ruído. Helio deve ter lá as suas qualidade, talvez não visíveis a olho nu.
Ao chegar em casa, resolve logo deitar-se, após um domingo de páscoa cansativo, sem chocolates, mas com doces presentes humanos. Hesita por um instante, olha para o seu criado-mudo e avista o livro de cabeceira - "Como ser legal", por Nick Hornby. Sorri por um instante, constrangido consigo mesmo. Opta por prorrogar ainda o repouso, fecha a janela, encaixa a meia na fresta para evitar que acorde irritado com o barulho do vento durante a madrugada. Decide ligar a televisão e, antes de apertar a opção mute e ficar apenas com o clarão, lhe chama atenção o que passa na tv, cenas de um filme conhecido. Logo a memória camarada lhe ajuda e recorda do que se trata: "A life less ordinary". É o que lhe basta para sorrir novamente de lado e contentar-se verdadeiramente com a espera.

Viver por um triz, sempre quis.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Estela não se conteve. E olha que ela tentou. Mas teve que registrar a música do fim de semana!
Junto com as frases mais marcantes:

1. "A galera tá ouvindo muito essas bandas! Tá refletindo demais no som!"
2. "Ele é meio Midas né?"
3. "hijnnoufbubmxpkpwndufbbx,pqkxxnwjd in Paris, I promise"

http://www.youtube.com/watch?v=nIPMkizpwpk

4. "Essas bandinhas adolescentes que você gosta, surge 15 a cada semana..."
Ok, Estela mordeu a língua, mais uma vez!
Agora seu sonho é fazer uma dancinha misturando Jay Kay, a dança zumbi do pokemon e do moço acima citado, ou videografado (?).

http://www.youtube.com/watch?v=xyKxNtIklFY
Agora cantando bonitinho!

"And every night we'll watch the stars
They'll be out for us
They'll be out for us
And every night, the city lights
They'll be out for us
They'll be out for us"
(Macfarlane)

Estela sabe de noites que se aproximam e que vão merecer essa letra, cantada em alto e bom som. E com o feeling que a ocasião merece.

sexta-feira, 3 de abril de 2009


"I want somebody to share
Share the rest of my life
Share my innermost thoughts
Know my intimate details
Someone who´ll stand by my side
And give me support
And in return
She´ll get my support
She will listen to me
When I want to speak
About the world we live in
And life in general
Though my views may be wrong
They may even be perverted
She´ll hear me out
And won´t easily be converted
To my way of thinking
In fact she´ll often disagree
But at the end of it all
She will understand me
I want somebody who cares
For me passionately
With every thought and
With every breath
Someone who´ll help me see things
In a different light
All the things I detest
I will almost like
I don´t want to be tied
To anyones strings
I´m carefully trying to steer clear of those things
But when I´m asleep
I want somebody
Who will put their arms around me
And kiss me gently
Though things like this
Make me sick
In a case like this
Ill get away with it"
(Gore)

Um bom fim de semana a todos aqueles que escrevem boas letras! E que merecem!

quinta-feira, 2 de abril de 2009


"ouça o som
queira ou não
e se for sim
preste atenção
no pulso
preciso
tão simples
amigo
secreto
tão perto
tão certo
mais sexo
com clima
e com cria
um ovo-zigoto"
(JZ)

Logo mais, os novos sambas-zigoto!

terça-feira, 31 de março de 2009

"O nosso jogo é perigoso, combina. Nós somos fogo e gasolina" (Luis & Rennó)

"Não sei se é certo pra você
Mas por aqui já deu pra ver
Mesmo espalhados ao redor
Meus passos seguem um rumo só
E num hotel lá no Japão
Vi o amor vencer o tédio
Por isso a hora é de vibrar
Mais um romance tem remédio
Não deixe idéia de não ou talvez
Que talvez atrapalha
O amor é um descanso
Quando a gente quer ir lá
Não há perigo no mundo
Que te impeça de chegar
Caminhando sem receio
Vou brincar no seu jardim
De virada desço o queixo
E rio amarelo
Agora é hora de vibrar
Mais um romance tem remédio
Vou viajar lá longe tem
O coração de mais alguém
Não deixe idéia de não ou talvez
Que talvez atrapalha"
(Veloso & Ribeiro)

....

É isso aí, Roberta! Obrigada por me fornecer um disco de ensaio particular!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Em tempo:

A toca do Coelho da Alice

http://oito-maisvogalqueconsoante.blogspot.com/2008/04/para-maria-da-graa.html

....

"Há de sentir muita saudade
Beijo bala de hortelã
Do abraço exposto na cidade
Longas horas das manhãs
Há de lembrar dos fins de tarde
Em céu laranja o adeus do sol
E o sabor do chocolate
Em noites frias luva e lã
Do tempo tido como eterno no início da paixão
Pra sempre, sempre repetido nos sussurros do amor
Do sorvete dividido nas calçadas de verão
E dos segredos prometidos no primeiro reveillon
Deixa a vida lhe trazer recordações"

....

Oi, seu gênio da lâmpada, posso ter uma banda como essa?

....

"Minha língua é um copo d´água na tua boca de dragão"

Ousadia, olá! Ei, menina, tenta escrever assim! Já pode ser uma mulher, sem vergonha! Atente para a diferença que uma pontuação faz numa frase! Ou numa vida!

....

Andam dizendo por aí que só se fala de novidade quando a notícia é boa! Será? O negativo não traz o novo? Lembre-se do principal encantamento da psicanálise na sua vida, Estela: abrir-se, sem temor e com satisfação, para o novo!

Sendo assim:

"Esse samba é pra quem tira aprendizado e alegria do que também não é bom!"

Tudo que se encontra entre aspas pertence ao Fino Coletivo! Ode à fineza!

domingo, 29 de março de 2009

Entre sorrisos esplendorosos e talvez exagerados, eis que surge novamente, no cotidiano de Laura, o panda, o velho conhecido bipolar bear, descrito anteriormente pelo nosso amigo Scott, aquele, o mais sexy de todos os tempos.
Tudo estava cintilante demais, todas aquelas luzes, todo aquele som, todos os sabores e as sensações, toda aquela crueza do tal significante. A história seguia semelhante às vivências fantásticas de Alice, a tal do país das maravilhas, certamente um pouco menos lisérgica mas ainda assim um tanto tóxica (paixão tóxica, certo, papai? Pharmakon, mais uma vez na avenida, aquele que cura e mata). O sorriso do gato que permanecia mesmo sem a sua presença estava lá, assim como a lua minguante (ou crescente?) que se assemelha tanto àquele sorriso. Todo mês, independente de quão panda esteja, Laura visualiza este sorriso. Também o coelho estava lá, sempre atrasado, sempre correndo, sempre colidindo com placas e tropeçando, com seu relógio de bolso a tiracolo. Sempre atrasado porque precisava de mais tempo no seu dia. Laura adora gatos e adora relógios. E sorrisos também. Todos estavam lá!

"Não havia nada de muito especial nisso, também Alice não achou muito fora do normal ouvir o Coelho dizer para si mesmo 'Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!' (quando ela pensou nisso depois, ocorreu-lhe que deveria ter achado estranho, mas na hora tudo parecia muito natural); mas, quando o Coelho tirou um relógio do bolso do colete, e olhou para ele, apressando-se a seguir, Alice pôs-se em pé e lhe passou a idéia pela mente como um relâmpago, que ela nunca vira antes um coelho com um bolso no colete e menos ainda com um relógio para tirar dele. Ardendo de curiosidade, ela correu pelo campo atrás dele, a tempo de vê-lo saltar para dentro de uma grande toca de coelho embaixo da cerca" (Carroll).

As semelhanças eram tantas, na tempestade ou na bonança, que Alice também lidava com um relâmpago. Apesar de o relâmpago de Alice ser apenas uma idéia ligeira que lhe passou pela mente. O relâmpago de Laura se fazia mais presente, era mais literal, presentificado num corpo que iluminava, encantava com a sua luz ao mesmo tempo que incomodava com o seu barulho e causava medo, com a sua possibilidade de destruição. A mãe de Laura contava que fora atingida por um relâmpago na infância, que lhe arremessou até a casa do vizinho. Nunca pôde esquecer dessa experiência. Laura fora atingida por um relâmpago na idade adulta e também mantinha a lembrança marcante e, ainda, dolorida. Poderia um dia esquecer?

" 'Você deveria estar envergonhada de si mesma', disse Alice, 'uma menina crescida como você (ela bem podia dizer isso...) chorando desse jeito! Pare agora, eu lhe ordeno!' Mas ela continuou do mesmo jeito, derramando galões de lágrimas, até que houvesse um grande lago ao seu redor, com quase meio palmo de fundura, estendendo-se por metade da sala!" (idem).

No alarm and no surprises. Assim como tio Yorke, está na hora de puxar o ar, recobrar a respiração e seguir em frente. Está na hora de arrumar os esmaltes na nova caixa pink de bolinhas brancas, arrumar as letras, recompor, guardar os cds em suas caixas, reorganizar as camisetas pretas no armário, aquelas que geram desconfiança, arrumar o horário no micro-ondas, retomar os roteiro turísticos e deixar-se pasteurizar na sua estufa preferida. Sem boicotes, ao menos dessa vez, mas com surpresas, please! Um pouco mais Mika e menos Ian, combinado? Everything in its right place!

Ps: para os leitores que encontrarem "Alice no país das maravilhas" em sebos ou em sua livraria favorita, traduzido para o português, favor mandar um e-mail para alicenopais@hotmail.com. Estela abre um sorriso de gato e agradece.

sábado, 21 de março de 2009


Num surto de grandeza, Estela está achando "Jigsaw falling into place" parecido com mdx! Deixa eu brincar de ser feliz!

http://www.youtube.com/watch?v=GoLJJRIWCLU&feature=related

"Before you run away from me
Before you lost between the notes
Just as you take the mic
Just as you dance, dance, dance..."
(Yorke)

Em tempo:
"Nada melhor que um dia após o outro
Nada melhor do que dormir um pouco
Pra esquecer, um dia após o outro
Nada melhor do que dormir um pouco
Hoje acordei meio triste comigo mesmo
Mas sei que vai passar
Confio em mim
Acredito na minha sensatez
Pode não ser a primeira mas pode ser a última vez"
(Jaeger)

Obrigada! E por aí vai...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Everything in its right place

Computerhead

"You know folks, I was talking with my honey the other day, my Pablo Honey. I said Pablo Honey, I said: you go to my head, my radiohead!
Ok computer!"
(Cheese)

http://www.youtube.com/watch?v=M_wGLZmwZ8o

"The emptiest of feelings
Disappointed people clinging on to bottles
And when it comes it´s so so disappointing
(...)
And one day
I am going to grow wings
A chemical reaction
Hysterical and useless
Hysterical and..."
(Yorke)

quarta-feira, 18 de março de 2009


Até que não está tão mal
É só o tempo passar
E só por 24 horas eu vou ficar bem
Não me diga que virá
Deixe o tempo passar
Eu troco esmolas por nada e assim eu vou ficar bem
Tolerar a solidão
A perda e o luto
Sem flores, escudo
Me sinto mais forte
Pra recomeçar aqui ou em outro lugar
E poder crescer feliz de novo sem você
As cicatrizes mudam de lugar
É so o tempo passar
Bem resolvida está a história e agora eu vou estar bem
E não me peça pra voltar
Deixe o tempo passar
Eu troco esmolas por nada e assim eu vou ficar bem
(Zoschke)

terça-feira, 10 de março de 2009

"I dreamed I had nothing at all, nothing but my own skin..." (Chaplin)

Um beijo para todos aqueles que vão para aquele show, que Estela gostaria de ir.

Keane, em apresentação única na cidade da chuva. Cerveja incluída. Dois lugares.


"You take the pieces of the dreams that you have
cause you don´t like the way they seem to be going
you cut them up and spread them out on the floor
you´re full of hope as you begin rearranging
put it all back together
but anyway you look at this looks like
the lovers are losing" (idem)

Deusinho, deusão
que na próxima encarnação
eu cante esse refrão

Temporariamente seu video/fotolog preferido!

quinta-feira, 5 de março de 2009

la laia
http://www.youtube.com/watch?v=yHa3clYDyVw

"Olha só quem vem aí
Antes de chegar o dia
Pensamento vem e traz
Quem partiu e não devia
Quem te disse que era hora de partir
Hora boa é sempre hora de voltar

De partir é sempre hora vem pra cá
Já perdi noção da hora de esperar
Levou meu coração
E botou dentro da mala
Pesou na sua mão
E sobrou na sua sala
Já perdi toda alegria
E perdi noção da hora
Você disse que viria
E eu digo que demora"
(Lancellotti)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Há um mundo que só Estela vê. Papai já disse que a realidade é psíquica.
...
- Sua orelha tá quente?
- Não! Por que?
- Ah!
- Tava falando de mim?
- O que você acha?
- Bem ou mal?
- Hummm...
- Espero que você estivesse falando algo a respeito de um show...
- O que? Tenho uma discípula agora, faz adivinhações...
(sorriso)
- Eu tenho uma vaga para a excursão então farei um quiz e, se você acertar todas as questões, a vaga é sua, valendo?
- Sério? Ok!
- Mas, em caso de erro, a vaga será de outra pessoa. Valendo! E serão vinte questões!
- Ai meu Deus! Pode consultar o google?
- Número um: qual lateral direito da seleção brasileira que jogou apenas a final na copa de 1958 e foi considerado o melhor da posição na copa e que, na semana passada, completou 80 anos?
Valendo! 1, 2, 3...você terá um minuto!
- Deve ser o cara da CBF lá, o... mas....a vaga é para um show e o quiz é sobre futebol?
- Número dois: qual o verdadeiro nome do lendário do Fluminense que atuou por cerca de 30 anos e era conhecido pelo apelido carinhoso de Ximbica?
- Ahhhh...é sério isso? Tenho que estudar! Podemos marcar o quiz para quando eu estiver junto com o Juca?
- Perdeu o lugar!
(silêncio)
- Ei, tô brincando! Tá a fim de ir pro rock?
- Sempre!

radiokelsonmagicalmysterytour

domingo, 1 de março de 2009

lingu(age)ns

3, o número mentiroso

1.

2.
http://www.youtube.com/watch?v=NY-oQEy1KFU

3.
"O no, I see,
A spider web is tangled up with me,
And I lost my head,
The thought of all the stupid things I've said,
O no, what's this?
A spider web, and I'm caught in the middle,
So I turned to run,
The thought of all the stupid things I've done,
I never meant to cause you trouble
And I never meant to do you wrong,
And I, well if I ever caused you trouble
O no, I never meant to do you harm"
(Martin)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Há quem acredite nas leis de Deus.
E há aqueles que acreditam na lei de Murphy. Sim, tudo pode ficar pior.
Após a tempestade, dizem, vem sempre a bonança. Mas é preciso considerar que antes, vem a tempestade. Com ela, pode vir a queda de energia, a espera e os espirros. E ela pode passar, aparentemente, lá fora. E continuar, invisível, internamente.
...
Joana, aos 22 anos, dizia ter cinco músicas da sua vida. Cinco canções que a faziam chorar. Escutou as duas primeiras recentemente, cantarola com frequência a quarta, não recorda qual era a quinta. Hoje estas cinco canções já não tenham mais tanta importância. Talvez ainda sinta algumas alterações físicas e emocionais ao escutá-las. Essas alterações devem estar mais ligadas às crises de nostalgia recorrentes.
Vamos à terceira:

"In the depths of my gloom
I crawl out for you
From the peaks of my joy
I crawl back into
Tearing me down everytime you smile
Every shinning time you arrive"
(Enigk)

A imagem que acompanha essa letra, no encarte do disco, é a de um telefone. Joana não recordava.
Toca. Chama. Desliga. Não atende. Tenta mais uma vez. Desliga. Espera. Espera. Espera. Insiste. E continua.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

re(torno)

"Avante. A gente quer ver. Horizonte distante. Aprumar" (Camelo)


"Vai. Tente mais uma vez. Cai. Levanta. Sem perder de vista. Sem deixar mais pistas. E recomeçar. Se foi apenas sonho deixe estar. Mas, se foi plano corra atrás" (JZ).

Sem muito espaço. Sem pular linhas.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Você não pode pedir a atenção de alguém com tanta frequência"
Sábio msn...


Um manual prático para lidar com o seu romance familiar, de utilidade inimaginável quando adquirido aos 2 anos de idade.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Betina constatou que gosta de dirigir sozinha durante a madrugada, no horário em que o calor da estufa já diminuiu, em uma velocidade controlada, com o som do carro num volume médio, cantarolando automaticamente, sem pensar. Dirigir assim lhe desperta, faz criar mentalmente textos ruins que acaba passando para o papel, aquele seu caderno de redação da quinta série. Avança os sinais que piscam no vermelho enquanto um sorriso assalta-lhe o rosto.
Descobriu algo sobre os sorrisos alheios: gosta de admirá-los, escutar seu som, observar as mudanças que ocasionam numa face. Sorrisos são particulares e impagáveis, identificam as pessoas. Gosta de sorrir também.
Encanta-lhe encontrar pessoas queridas durante a semana, num dia comum, poder acompanhar de perto o que têm feito, parabenizá-los. Gostaria de levar algumas pessoas e lugares consigo por todos os cantos - "eu levo essa casa numa sacola" (Amarante) - assim como se contentaria com unhas eternamente coloridas, odores agradáveis 24 horas/dia e um ar condicionado portátil.
As madrugadas, anteriormente quase inexistentes ou minimamente inexpressivas, vinham se tornando períodos interessantes para Betina. Produtivas, improdutivas ou apenas madrugadas. Começou a pensar que o sono excessivo que sempre foi um dos seus passatempos favoritos, poderia ser perda de tempo. Desejou dormir cada vez menos, no estilo Paty Diphusa (vide Almodóvar).
Torce agora para ser sempre acompanhada até a porta. Torce, como toda força, para que nenhuma vida seja como a última cena de Trainspotting. E, ainda, torce pelo sono que deveria chegar, para que seus cabelos molhados encharquem a fronha limpa do travesseiro. Aperta o play: "will I ever feel this way again? This time I'm ok!" (Davis).

"Rolling with some friends of mine, her love is an amphetamine" (Davis).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

- Oi Beatriz. Como vai você?
- Eu vou bem.
- E o Roberto?
- Também vai bem.
- Vocês continuam fazendo reportagens cheias de aventuras?
- Sim, nós gostamos disso!
- Dá para perceber. Para se meter com o Valdomiro. Vocês não tiveram medo quando se meteram no sequestro de Ana Lucia e Luís?
- Sim, eu tive muito medo mas queria realmente salvar as duas crianças.
- Você foi muito corajosa. Salvou Roberto e as duas crianças. Como deteve Valdomiro?
- Joguei uma pedra na cabeça dele, a polícia veio, eles soltaram as crianças e tudo terminou bem.
- Quem bom né?
- Bom, tenho que ir trabalhar. Roberto já me espera. Foi bom conversar com você. Tchau!
- Tchau. E boa sorte para a próxima aventura.
(Estelinha, há 15 anos. Nome do texto - "Diálogo com uma personagem").
Curioso. E ainda há quem não acredite em inconsciente.
...
Beatriz tornou-se uma mulher sem grandes sonhos próprios. Gostaria de tê-los, e isso mostra-se evidente através de sua contínua aproximação de quem os tem. Admira a característica do sonhador e busca ficar por perto, como se pudesse existir alguma forma de contágio. Tenta mostrar-se prática, o que de fato não gostaria de ser. Sente-se atraída por um mundo romanceado, colorido e fantástico, apesar de temê-lo.
Vive desejando encontrar mais sorrisos a sua volta, mais diversão, mais música, mais rostos felizes, mais positividade hidropônica e mais sabores. Gostaria de não se sentir ameaçada por mosquitos jovens, gordos, (in)significantes e aparentemente inofensivos, que pousam em todos os cantos e sugam, enganando a quase todos. Sabe-se não tão esperta para evitar o engano então se protege.
Se pudesse, compraria três apartamentos e gravaria dois dicos, ou melhor, três, porque, juntando com os bens anteriores, daria trinta e três, no seu ponto de vista e não seis, como o seria para a maioria. Se pudesse, faria com que a maior parte dos dias fosse de inverno, com sol e com cachecol. Escreveria um livro. Instalaria feriado de carnaval em todo o Brasil mesmo no seu país sul. E travaria o relógio, fingindo não saber que o tempo passa independente disso. Somente se pudesse...tem observado que não precisa de nada grandioso para estar feliz.
Valdomiro foi assassinado. Ana Lucia e Luis se casaram. As crianças cresceram, apesar dos pais continuarem chamando-lhes desse modo. Roberto diz viver bem, mas mente.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê"
(Camelo)
...
"Eu fui professor de português durante anos, me orgulho muito disso e sei bem a diferença entre decepção e desgosto."
...
Se você tem um dicionário em casa, participe da enquente e responda num comentário a diferença substancial entre o significado dessas duas palavras.
Esqueci que não há espaço para comentários.
E que para descobrir a real diferença entre estes significados ter-se-ia que consultar uma teoria do sentido. Ou deitar no divã.
Seguimos em frente com o romance familar do neurótico de cada dia. Em dezembro teve início a nova temporada do seriado mais quente - fervente, da estufa - do momento.
Enquanto isso, aprendam com a Pro Estela a separar as sílabas:
de-cên-cia
con-tro-le
chan-ta-gem
a-me-a-ças
do-en-ça
va-lo-res
hi-po-cri-sia
mo-ra-lis-mo
per-dão
me-ni-na-ve-ne-no
(segundo a nova reforma da língua portuguesa, essa palavra é composta)
res-pei-to
dis-cus-são
VO-RA-CI-DA-DE

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


A situação toda escancarou-se quando, pelos idos de 1998, um alemão alto e magrelo numa estufa germânica começou a cantar:"I don't know if my family will go to heeeeeaven". A referência saiu no jornal e Franco, ao ler sobre "I don't know what's happening with my family", divulgou:

- Ô seu Geraldo, olha aqui sobre o que o seu filho anda cantando?

Na mesma década, os Titãs lançaram a música que quase todo bom filho cantarolou em algum momento, a tal da "família ê, família ah, família" que diz na sequência:

"Mas quando a filha quer fugir de casa
Precisa descolar um ganha-pão
Filha se não casa
Papai e mamãe não dão nenhum tostão"
(Antunes & Belloto)

Mais tarde veio a sábia frase dita por dona Chica: "família é bom em porta-retrato".

Mas, na verdade, tudo é muito anterior já que o Outro Pai, o pai de uma horda, disse que o sofrimento, para os humanos, parte de três fontes: dos conflitos internos, das forças da natureza e, principalmente, dos relacionamentos uns com os outros.
Profanam que os laços de sangue unem para sempre, que são eternos, que a família só quer o bem, que há algo de instintual numa proteção materna.
Infelizmente, Débora, em sua (in)útil teimosia, não se alienou a isso, como dificilmente se aliena.

1, 2, 3 e já: aliene-se!
Aperte o botão neon da alienação e siga em frente.
Parece tão mais fácil.
Como agora.
Relacionamentos virtuais, troca de palavras numa rede, café morno, de pijama, sem banho, sem escovar os dentes, esmalte descascado, sacos de lixo, cama desarrumada, fone de ouvido, músicas aleatórias, sem comunicação com o dia chuvoso que faz lá fora!

Não? Tá! Pela teimosia, desaliene-se e vá desarrumar o quarto na casa da mãe.
Débora pergunta-se: quando é a hora certa de tirar tudo que é seu da casa da mãe? Existe o momento em que todos os pertences de um filho são retirados desse ninho? As fotos da infância geralmente ficam...e aquela mecha de cabelo, o álbum do bebê, o pêndulo do berço, pertecem a quem? À mãe ou ao filho? Será que tudo aquilo que vem a partir do momento que o filho adquire um mínimo de autonomia lhe pertence? Será que a sua vida e suas escolhas lhe pertecerão, de fato, algum dia?
Certamente aquele álbum de fotos da adolescência, aquela senha de banco, as fitas cassetes - não as de vídeo, Débora aprendeu a diferença - as canetas, aquela sapatilha rasgada, os e-mails impressos daquele rapaz, o boneco do Bart Simpson e do Animal dos Muppets, o apito, a pulseira, as provas de biologia, as revistas, as cartas - inúmeras - e os bilhetes pertecem ao filho. E é ele que decide o destino.
Qual o momento de jogar quase tudo isso fora a ponto de lotar quatro sacos de lixo de 30 litros? Qual o momento de trocar o segredo da fechadura, de trocar a senha da locadora, de bloquear o cartão do Angeloni?

Débora sofre de crises gravíssimas de nostalgia provocadas por fotos, bilhetes, palavras e afins. Os sintomas que acompanham as crises são lágrimas, sorrisos, olheiras, uma leve tontura, inapetência e confusão mental. Ela nunca sabe definir qual sentimento prevalece: seria a euforia pelas lembranças do bons momentos vividos ou a tristeza pelo fato de terem passado? Bipolar bear, de novo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quando Clarice nasceu todos os astros, junto com a lua-de-sorriso-do-gato-da-alice, numa quarta-feira de madrugada, decidiram que ela seria uma garota cheia de dúvidas.
Clarice cresceu numa estufa sem nunca entender como coisas boas podiam acontecer naquele ambiente. Uma estufa, quem sabe um forno ou ainda uma panela de pressão. Quente, com(pressão). Estufa de praia, perto da praça, da matriz, do charafiz, vindo da serra. Descobriu, há dois dias, reclamando do calor, que o problema não é a estufa em si mas o que se faz dentro dela. Nada de muito brilhante, ok! Pensa agora em, quem sabe um dia, voltar para a estufa. Ou forno, quem sabe ainda, panela de pressão.
Essa garota anda refletindo muito, escrevendo errado, fazendo atos falhos. Não suporta sentir-se insegura, que de fato o é, sempre foi. Deixou-se enganar durante muito tempo por uma maldita auto(in)suficiência. Estela, sua amiga, alertou sobre os perigos dessa armadilha. Dá para suportar? Suporte, Clarice, concentre-se e suporte, uma insegurança por vez, por dia, hora ou minuto. Segundo, quem sabe? É possível!
Clarice deseja com todas as suas forças acreditar nas pessoas, no que elas dizem, nas palavras, nos sentimentos, nos momentos. É surpreendente que não acredite, nem ela mesma crê nessa constatação. Deseja intensamente poder usufruir do que lhe acontece mas peca, sempre. Não usufrui, não se permite. Trava, estraga, teme. Ainda mais quando escuta: "Feelings are intense. Words are trivial. Pleasures remain. So does the pain. Words are meaningless. And forgettable. (nãããããããooooo!) All I ever wanted. All I ever needed. Is here in my arms. Words are very. Unnecessary. They can only do harm" (Gore).
Não! Nega-se. As palavras são reais. Sinceras. Transmitem os fatos. Sim. É isso. As palavras divertem Clarice. Pergunte a três garotas e elas confirmarão.
Implica com pilares, não aqueles de estrutura e base, como andaram cantando por aí. os outros. Com meio-fios, com portões que tem vida própria, com espelhos retrovisores. Não sabe dizer como eles, de repente, surgem na sua frente. Tem vontade de gritar, como uma prima paquita o fez, "sai você!". Mas não o faz! Que péssima mania que os seres humanos tem de não assumir responsabilidades por suas condutas? É sempre o destino, a sorte ou o azar, o poste que surgiu. Clarice sabe de onde eles surgem.
Não faz o tipo "oh céus, ninguém me entende!" mas gostaria que pessoas significativas compreendessem suas atitudes, suas escolhas, a alteridade, a diferença e respeitassem sua autonomia, sua conquista, seus méritos e sua idade. Nao tem grandes pretensões!
"Believe, believe in me, believe, believe..." (Corgan, o original, não o Korgan).
Acredita, vai? Ressoa...ressoa...ressoa...e continua...como o Foo Fighters e o Arkarna. Numa tarde na estufa, com um pouco de vento gelado. Dirigido para o teto, porque é no céu estrelado neon que fica o ar quente.

Tem? Ou têm?

Pera, pera, pera!
Pêra, péra, pera!
Palavras.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009


Há tempo o ano não começava tão novo...

Se há algo que encanta na psicanálise é a possibilidade de abrir as portas e deixar entrar o novo, de encantar-se com a novidade, com os movimentos da vida. Seguir essa trajetória ou acompanhar alguém por este caminho é algo magnífico.
Apesar da irmã caçula estar um pouco de lado atualmente devido uma certa impossibilidade de investimentos pulsionais adequados - é a imbecilidade da pulsão não-domesticada - ela permanece no horizonte. Sempre.
Como já disseram por aí: "a novidade era o máximo".

Não é tão novo assim mas merece recomendações:

http://br.youtube.com/watch?v=0rmhYJpfUdc

"Só porque eu te olhei
Você fez que não me viu
Que não podia ver
Já sabendo o que será
Se cada um pensar
Que juntos
Num segundo a mais desse olhar
Se faz um sonho
Que acordado é muito mais do que dormindo"
(Amarante)

Dizem por aí que essa letra foi escrita em setembro de 2008.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

AUTO(IN)SUFICIÊNCIA

Alice sempre pensou que as letras do Chico Buarque, todas aquelas palavras dramáticas sobre (des) amores lhe serviriam para algo quando o dia fatídico chegasse! Imaginava-se escrevendo um e-mail, com algumas palavras em negrito, os dedos tremendo sobre um teclado cheio de lágrimas, soluçando ao cantar, conforme digitava, "devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu". Ou, quem sabe, podia mesmo mandar uma carta pelo correio para que causasse ainda mais impacto: palavras do próprio punho, caligrafia irregular, esgoelando-se ao acompanhar a letra: "dei pra maldizer o nosso lar, pra sujar teu nome, te humilhar e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso".
Supresas da vida! Percebeu que de dramaqueen não tem muito. Há quem diga que seja racionalidade ou frieza. E há quem não diga por não conhecer!
...
Publicações diárias, hiperatividade internética, correção de textos antigos, pouca concentração, leitura, comida e sono, escrita incorreta e sensação de estar emburrecendo, bipolar bear...afinal, Alice já fora um panda em posts anteriores. Deseja manifestar sua profunda comoção com todos os casos de euforia coletiva ou particular. Isso não é uma ironia! Fica aquela torcida pela melhora. E um nó na garganta.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

- Meu anjo!
- Olá!
- Abençoada, caiu do céu!
- Hehe
- Meu Deus, que loira linda!
- (sorriso amarelo e pensamento: tento ser ruiva, meu bem!)
- E esses olhos brilhantes, verdes, lindos demais!
- Obrigada!
- Maravilhosa! Que cabelo bem cortado! Linda!
- É...
- Se eu fosse homem mesmo me apaixonava por você!

Depois disso ele pediu algumas moedas para uma associação que acompanha soropositivos. Quando Estela olhou para o lado, um tiozinho da idade do seu pai, num carro desses chiquérrimos, piscou pra ela. Eca!
Se ela soubesse que seria tão divertido, teria começado antes! Primeira, segunda, terceira, seta e menos rodopios!
...
- Já cumpriu metas de ano novo, doutora?
- Quem sabe amanhã eu comece e lembre do casaco, do pé quente e da sombrinha. Hoje vai ter que colocar meia na janela.
...
Quer chorar?
Tudo tem estado tão (emo)cionante! Deve ser por causa de hell(p), i need somebody, hell(p)!

http://br.youtube.com/watch?v=KxU20VWeies

"Your love, it takes a little faith
And i know i have to wait my own good time, yes
Your love, i know i can't escape it
And i know that we can make it all work out"
(Iha)

Estela teme ser mal interpretada mas é obrigada a confessar: odeia alguns teenage fanclub(s)! Aliás, desde que deixou de ser uma adolescente, odeia-os.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

HELL(P)

Utilizando um pouco da ins(piração) de Adriana Calcanhotto em "Saga Lusa" - que Estela recomenda! - aí vai:


Imagine um panda bancando a psicóloga/escritora/cantora, vestindo saia cor-de-nada, colar rosa-bebê, tic tac de oncinha (será que é assim, com a reforma da língua portuguesa?), dirigindo no meio da pista, com deslocamentos saltitantes, que quase nada come, pouco dorme e responde monossilabicamente, troca as palavras, anda maldizendo pai e mãe, até a quarta geração, reza para as ausências ou os cancelamentos, chora, ri com o Miro, vive de nostalgia, sente saudade, quer um colo triplho, está tendo um surto com alterações graves de percepção - como já diziam: "se tudo é certo claro e azul, eu vejo com meus outros olhos" (JZ), renega o despertador, tem uma apostila de violão e sensibiliza-se com o barulho da chuva.

Aí está! Uma vaga idéia!

Pandas são aqueles animais que parecem ter olheiras!
São aqueles animais que comem bambu!
Assim como a dinda, que come "babu".

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

happy in galoshes
"now go to sleep gently
you're killing me sweetly
cause i can't find a way
to make you believe"
...i found...
Álbum mais ouvido na casa da Estela nesse início de ano, quando está só. Estela adora esse tal de Scott Weiland, considera-o o segundo vocalista mais sexy e performático de todos os tempos. E talentoso. Quem sabe volte a ter 15 anos - quer dizer, 12, - e cole um pos(t)er dele no seu armário.
Tirando o Sebastian Bach que misteriosamente encarna no moço vez ou outra, o disco é muito bom, ainda mais para uma fã suspeita como Estela para criticar.
Na onda de criticar TODOS - ok, quase - os sons, três estrelinhas coloridas para Scott.
Aliás, Estela pensa que deveria trabalhar como produtora musical já que sempre identifica os singles dos discos antes mesmo de serem lançados. Sim, anda exibida ultimamente. Com dizem uns e outros: "tem coisas que pegam. Outras, te pegam!"
Quem sabe seja uma das novas pretensões para 2009.
Falando nisso, uma das pretensões despretensiosas para o novo ano: conscientize-se, Estela! Aprenda que você mora numa cidade que faz frio e chove. Tenha sempre consigo um casaco, uma sombrinha e meias! Sua garganta e a escova no cabelo agradecem!
Um pouco atrasada, já que só agora a vida de Estela volta à rotina. E veja que ela não estava de férias. Um happy new year, do Madeixas ou do Death Cab for Cutie. Existe algo melhor que férias, ah, se existe!