domingo, 29 de março de 2009

Entre sorrisos esplendorosos e talvez exagerados, eis que surge novamente, no cotidiano de Laura, o panda, o velho conhecido bipolar bear, descrito anteriormente pelo nosso amigo Scott, aquele, o mais sexy de todos os tempos.
Tudo estava cintilante demais, todas aquelas luzes, todo aquele som, todos os sabores e as sensações, toda aquela crueza do tal significante. A história seguia semelhante às vivências fantásticas de Alice, a tal do país das maravilhas, certamente um pouco menos lisérgica mas ainda assim um tanto tóxica (paixão tóxica, certo, papai? Pharmakon, mais uma vez na avenida, aquele que cura e mata). O sorriso do gato que permanecia mesmo sem a sua presença estava lá, assim como a lua minguante (ou crescente?) que se assemelha tanto àquele sorriso. Todo mês, independente de quão panda esteja, Laura visualiza este sorriso. Também o coelho estava lá, sempre atrasado, sempre correndo, sempre colidindo com placas e tropeçando, com seu relógio de bolso a tiracolo. Sempre atrasado porque precisava de mais tempo no seu dia. Laura adora gatos e adora relógios. E sorrisos também. Todos estavam lá!

"Não havia nada de muito especial nisso, também Alice não achou muito fora do normal ouvir o Coelho dizer para si mesmo 'Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!' (quando ela pensou nisso depois, ocorreu-lhe que deveria ter achado estranho, mas na hora tudo parecia muito natural); mas, quando o Coelho tirou um relógio do bolso do colete, e olhou para ele, apressando-se a seguir, Alice pôs-se em pé e lhe passou a idéia pela mente como um relâmpago, que ela nunca vira antes um coelho com um bolso no colete e menos ainda com um relógio para tirar dele. Ardendo de curiosidade, ela correu pelo campo atrás dele, a tempo de vê-lo saltar para dentro de uma grande toca de coelho embaixo da cerca" (Carroll).

As semelhanças eram tantas, na tempestade ou na bonança, que Alice também lidava com um relâmpago. Apesar de o relâmpago de Alice ser apenas uma idéia ligeira que lhe passou pela mente. O relâmpago de Laura se fazia mais presente, era mais literal, presentificado num corpo que iluminava, encantava com a sua luz ao mesmo tempo que incomodava com o seu barulho e causava medo, com a sua possibilidade de destruição. A mãe de Laura contava que fora atingida por um relâmpago na infância, que lhe arremessou até a casa do vizinho. Nunca pôde esquecer dessa experiência. Laura fora atingida por um relâmpago na idade adulta e também mantinha a lembrança marcante e, ainda, dolorida. Poderia um dia esquecer?

" 'Você deveria estar envergonhada de si mesma', disse Alice, 'uma menina crescida como você (ela bem podia dizer isso...) chorando desse jeito! Pare agora, eu lhe ordeno!' Mas ela continuou do mesmo jeito, derramando galões de lágrimas, até que houvesse um grande lago ao seu redor, com quase meio palmo de fundura, estendendo-se por metade da sala!" (idem).

No alarm and no surprises. Assim como tio Yorke, está na hora de puxar o ar, recobrar a respiração e seguir em frente. Está na hora de arrumar os esmaltes na nova caixa pink de bolinhas brancas, arrumar as letras, recompor, guardar os cds em suas caixas, reorganizar as camisetas pretas no armário, aquelas que geram desconfiança, arrumar o horário no micro-ondas, retomar os roteiro turísticos e deixar-se pasteurizar na sua estufa preferida. Sem boicotes, ao menos dessa vez, mas com surpresas, please! Um pouco mais Mika e menos Ian, combinado? Everything in its right place!

Ps: para os leitores que encontrarem "Alice no país das maravilhas" em sebos ou em sua livraria favorita, traduzido para o português, favor mandar um e-mail para alicenopais@hotmail.com. Estela abre um sorriso de gato e agradece.